quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Luzes brilhando sobre a flauta



"Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites como só parecem existir quando somos jovens, amigo leitor. O Céu estava estrelado e luminoso, que ao levantar os olhos para ele era-se levado involuntariamente a perguntar: é possível que sob um céu assim vivam homens irritados e caprichosos? Este é ainda um pensamento juvenil, amigo leitor, bem juvenil... mas que possa o Senhor vo-lo agradar frequentemente!" Noites Brancas - Dostoievsky


Longe de tudo, agora entendia porque só conseguiu entreguar a última palta, finalmente pronta, só na quinta passada. Estava cansado. Tinha projetos em aberto, de repente, travou! Como se travasse uma máquina: travam as idéias, travam as questões pessoais, trava a utopia. Como se travasse a marcha do carro e a pessoa fica ali tentando, tentando e tentando. Nada! Quis gritar um:"PUTA QUE PARIU!!!". "Porque tinha de ser comigo?" Não poderia ficar em silêncio. Tinha muitas questões por resolver e urgências. Uma tempestade avolumava-se ao horizonte e era só uma tempestade a ser apagada pelo parabrisa do carro, enquanto cruzava a cidade. A vida é feita de urgências e compromissos que nos levam aonde? Próximo ao semáforo, ali perto, uma jovem segurando sua flauta, observa o horizonte como um espetáculo de temor e poesia. Talvez tivesse voltado para ver a moça da flauta ou pra sentar na calçadinha e ver a tempestade avolumando-se e as coisas ficando novamente claras, mas o telefone celular tocou...

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