terça-feira, 23 de junho de 2015

Vício poesia


Poesia é um vício ao qual não posso resistir
Resvala meu corpo
provoca sentido,
faz a pele rolar o tempo, o momento e os instintos
Quem por ela for tocado se entregará
ao momento presente, ao instante único
como um canto de passarinho
que daqui a pouquinho... já já se foi
Sustento sustenido
vida, corpo, pensamento vai:
o que vale mais é a pulsação,
batidas rítmicas
Instindo de canção,
que ressoa e saliva de desejo
e me morde como fruta,
como truque barato desse destino

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Para Loba, Mãe da Vida



Voltei à tona...
Pulo, volta, retorno, topo
Espaço novo,
Mente, corpo, respiro agora no momento presente!
E recebo de presente...
Eu inteirinha, me mostrando aos poucos
Sem medo de ficar desnuda,
sem receio da luta e da lua
Estou de mãos dadas com meu bicho
meu instinto íntimo,
que me protegeu nessas madrugadas
em que andava desacordada,
à procura da trilha e da saliva
Achei...
Escrita, sentido mínimo, profuso, 
ampliação de espaços
pra mergulhar na delicadeza
de mim menina, moça, mulher,
mãe de mim mesma
Minha memória
traz resquícios de flores,
riscos de giz, borboletas sobre minha pele
Leveza de quem já cavucou a terra
e correu, teve de correr muito...
O topo me traz para sentir 
ventos, sede, calor e frio
Sentir e seguir, pra espalhar
alegria e retribuir
a mãe da vida,
a graça linda de existir!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Amorecia





Naquela tarde
tudo amorecia...
Tudo que era doce, 
desejo, 
placidez carnal
Amoreceu


Inefável chão poético



A poesia,
esta que me assalta a todo instante,
ser incessante...
Feita de átimos e longas esperas
De longos dias e noites curtas
Do tempo inteiro e na travessia dos anos
Na travessia das ruas e
silêncio do mato
O olhar do outro,
num enigma do outro,
Poesia é olhar que retorna
em matizes distintas
Como traduzi-las e resignifica-las,
sem ser somente a outra, eu mesma?
Como dar voz, a não-voz?
Como dar o grito, ao não-grito?
Como nomear o inominável?
Passeio por figuras sem volta,
flutuações e chão duro, áspero,
lodo e musgos
Cordão invisível,
procuro por uma mão.
A mão firme que me segura
na travessia, pode impedir meu voo
Mão do pai,
forte, densa e cheia de histórias
Mão da mãe
rígida e cheia de detalhes delicados
Mão do amor
que agarra a terra
e a fruta do mato
Mão invisível que me leva
é a mão da palavra-poesia,
voz incansável de dentro da noite
negrume, vagalume,
lanterna dos meus desatinos,
chama que grita:
- Por aqui...!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ESCRITA SEM FRONTEIRAS




Olá!!!! Bom dia, boa tarde e boa noite pra você que acessa o meu BLOG GEOGRAFIA DO DESEJO...
Nesta baita travessia de INVERNO seco e com pouca umidade (quase clima de deserto) aqui no centro-oeste brasileiro. Desejo a você uma ótima travessia no seu INVERNO, seja ele qual for e nas leituras desse BLOG e de suas leituras pessoais...

Quero saudar aos leitores eventuais (os que dão uma espidinha e fogem rsrs), aos que recebem ou recebiam meus posts, aos amigos e amigas, a quem tá chegando e quer ficar... Faz um tempão que não publico aqui!!! Há algumas promessas não cumpridas aqui e ali de melhorar o blog assim e assado em posts passados (não fiz nada disso, fiz como todo ser vivo, aquilo que primeiramente foi minha necessidade imediata, enfim...) Sigamos em frente! 

Lidar com o imaginário é tarefa muito fácil, já na prática, às vezes, nem sempre é fácil. Sou estudante do Mestrado em Letras na PUC-GO há um ano e meio. Fazer o Mestrado representa uma verdadeira aventura (literalmente, além da realização de um sonho), ir para outra cidade e lidar com outro arcabouço de ideias e pesquisadores, análogo, mas diferenciado com os que estava acostumada na Universidade de Brasília. O desejo foi realizado e sou super grata ao meu orientador Dr. Agnaldo José Gonçalves, que me recebeu de braços abertos a esta pesquisadora-mochileira depois dos trinta (rs). 

Sempre tive vontade de ESCREVER SEM FRONTEIRAS, de imprimir meu pensamento, fosse pela palavra escrita, fosse pela palavra falada ou pela expressão corporal (teatro). Essa habilidade expressiva me contaminou desde a adolescência e início da idade adulta em que a moça tímida e aparentemente "inábil" para convívio em grupo, resolveu se alojar nos jornais, revistas e livros. Revelo agora: a escrita acadêmica tem sido um tanto sofrível pra mim!!! Apesar de lhe dar com o OBJETO DO MEU DESEJO, os estudos literários, ainda sim, tenho me debatido numa espécie de camisa de força.

Meu trabalho é na área de CRÍTICA E TRADUÇÃO. Chique, né... Mas tô tendo um trabalho danado por conta da dificuldade das regras, prazos, metodologias, enfim... Isso tudo que é o mundo acadêmico e do qual posso desabafar aqui no meu BLOG. Que não soe isso uma voz de desistência, nem resistência, nenhuma "ência" da vida. Esrevo hoje para que você leitor e leitora e eu (também, afinal a gente também escreve pra gente), percebamos as agruras da escrita e tenhamos coragem de enfrentá-las.

Um abraço com sabor de desafio...

Deliane Leite.