domingo, 16 de novembro de 2008

Mapa Astral I


Ainda mora, ainda vive, ainda respira dentro de mim, ainda cogita, ainda transparece, ainda sonha em ser sem fim...
Ainda oscila e vacila, ainda se inspira no espelho de marfim...
Ainda alegra e entristece, ainda aparece, ainda esquece e desobedece o desejo de se entregar assim...
Ainda se enfurece, ainda se mobiliza, ainda se contrai, mas não se esquece do sorriso que a distrai...
Ainda quer beijar a boca, ainda quer ser a outra que lambe o selo da carta e viaja sem mapa...
Ainda não terminou o desejo, sentidos e mordidas, suspiros e queixos, de querer só um pretexto de nomear o querer...
Ainda no meio da obra, ser a arquiteta que organizando o prumo descompassa as letras e encontra outros estetas em seu céu...

2 comentários:

Zildete M. disse...

um poema que se derrama, que inunda, que invade suavemente, que não conhece proporções...

Telma Arcoverde disse...

Você dá muito bem seu nome à palavra que declama e lavra nos palcos da cidade e da vida!
Parabéns pelo Blog, precisamos mesmo de poesia pra sobreviver nesse mundo cão!