terça-feira, 23 de novembro de 2010

Para todos os Carteiros do Mundo



Um carteiro bateu a minha porta:
Wait a minute Mr. Postman,
disse uma letra dos Beatles pra mim
muito tempo depois...
E eu fiquei observando ele trabalhar
Queria viajar naqueles envelopes...
e levar também a correspondências a tantos endereços,
descobrir tantos nomes diferentes,
lugares, becos, esquinas
Tantas cidades,
Mundos...
Imaginava este trabalho
quase como um ato secreto
Este negócio de escrever cartas,
colar selos e levar ao correio,
pra depois deixar na mão de alguém
que chamava ao outro pelo nome:
Não está! Gritou a vizinha e o carteiro
camarada pergunta
A senhora pode entregar?
Eu imaginava as mãos que levavam aquelas
cartas e os rostos das pessoas ao recebê-las
Todas as cartas de amor são ridículas...
Me sussurrou o poema de Fernando Pessoa e
eu ficava tardes inteiras escrevendo cartas
pras figuras mais inusitadas da face da terra (kkk)

Algumas apaixonadas, outras por pura luxúria
Escrever uma carta de amor é meu ato de amor religioso
todos que amei e amo recebem uma
Levo o mundo e não vou lá
A voz rouca da Cássia Eller salvou
muito carteiro da depressão
e eu da minha nostalgia por
cartas, selos e agência de correios
Por muito tempo também levei o mundo
chegou uma hora em que resolvi
tocar a vida e tentar driblar o medo
Fazer minhas palavras chegarem!!!
Por carta, mail, blog, voz, canção, poesia, grito,
cochicho ao pé do ouvido, oração, silêncio, beijo, realidade:
bati na porta do vizinho e chamei pra um café
Faço delas meu instante supremo

Obrigada Carteiros...


2 comentários:

Rapouso disse...

boas são as madrugadas Deliane,
como vejo, possui as mesmas asPIRAÇÕES que minhas ....rs.....
olhamos as pessoas nas ruas, e nos imaginamos na pele delas, no trabalho delas, ou simplesmente a história de vida delas. essa contemplação é fantastica. e nos leva não só a pensar nisso, como viajar nisso tb, e sentir e refletir... logo, não resta mais nada, senão agir!

mandou muito bem!
continuo acompanhando! um beijo!

Glauber Vieira disse...

Que delícia de texto, Deliane... também tenho o hábito de escrever cartas (ou enviar postais) e muitas vezes me vejo viajando para a casa do destinatário através daquele envelope.

Acrescente apenas o "r" do carteiros, na última frase.

Beijão!