quinta-feira, 4 de março de 2010

Ventos do Norte


Estou à espera de ventos que

venham do norte

e que me mostrem, me dobrem, me levem pela mão...

Me detenham e retenham

me arrastem no chão e

não me peçam perdão.

Me desestabilizem por fora,

me enraízem por dentro

Tropa de ferro

Ferreiro de tropa

Fogareiro aceso

Vento do norte e esqueiros...

Iluminando a madrugada

Vaga-lumes em brasa

Tudo passa.

Vento sem toada que

foge pelo sol e chuva

Chove debaixo da saia,

enquanto descortina

a embaçada retina...

Rotina?

Coxinchina...

Vá pra lá!

Você que teve medo de se entregar...

De amar, arrancar, arrasar e sublimar.

Sua pressa, sua fome de momento e falta de olfato

Sou felina

sinto falta do cheiro, da carícia, da língua

Da tua língua

Mas o que fizemos? Mas o que tivemos?

Rio límpido, mas ingrato...

Nossos tempos são diferentes

Somos Águia e Lobo

Somos sem sentido

Somos do mesmo ouro maciço

Queria ser a lindinha, a gracinha

que vejo olhares com insistência,

mas essa não sou eu!!!

Desse teu olhar obtuso veio a consciência

Que senti algo

Tosco, pouco, tolo, bobo, babaca

Senti você todo.

E essas tuas mãos ficaram sem minhas histórias

Tuas histórias ficaram sem minhas mãos

Elas não me feriram

Mas me fizeram perceber

Ventos do Norte

Ao qual me entrego ao amanhecer

Me entrego por prazer

Vale demais ser

Ser de coração, ser com e sem razão

Ser então

A própria procura e encontro

O jardim secreto

Um beijo tímido debaixo dos lençóis

Máquina fotográfica que tudo captura

Eis aqui uma história




5 comentários:

Patrícia Santana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amanda Barreto disse...

Olá Deliane tudo bem? Primeiro, gostaria de agradecer pela visita à minha humilde casa. Segundo, passo para elogiar seu blog, muito sensível e inteligente. Confesso que ainda não tive tempo de olhar tudo com calma, mas quero ler os posts com toda a atenção merecida. Abraços e boa noite! Amanda Barreto.

Marisa. disse...

Lindo poema!

Hercília Fernandes disse...

História do uniVerso feminino abundantemente expressa em poesia.

Muito gostei, Deliane. Poema intenso, cheio de vida!

Beijos,
H.F.

Fernanda Matos disse...

Deliane,
como as vezes somos bobas de abriar as portas só para quem deseja pernas abertas...
Os homens em sua maioria temem tamnha entrega e deleite e fogem de intimidades... esses tem ainda uma estrada longo a percorrer na vida e no amor. Siga os ventos do seu coração, independente dos ventos de outros... beijos
Fernanda Matos