domingo, 26 de agosto de 2012

Moedas, o menino e meu pai Plínio




O homem vira menino de repente, e é quando vira velho!

A esta dedução indubitável cheguei hoje, ao vir meu pai entrando no ônibus há cerca de duas semanas. Era uma terça-feira e eu não sabia que ele pagaria a mesma condução que eu, o que seria bem possível, já que tem dado preferência em trafegar usando transporte público quando tem um destino certo. Deseja com isso evitar a dificuldade de estacionar seu carro.

Me supreendeu vê-lo, ao entrar no ônibus, sentar-se na cadeira destinada aos idosos. Como pode? Claro que pode! Ele tem mais de 70 anos. E ele ali sentadinho parecia um menino indo com um amigo comprar figurinhas para seu álbum. No caso, não eram figurinhas, mas mas moedas comemorativas no Banco Central. Viva a sensação de estar do outro lado do balcão, ou seja, aquilos que os meninos sentiam ao correrem a Banca Santa Bárbara para completar seus álbuns do campeonato brasileiro. Este hobby é sem dúvida ele inteiro... Mas não figurinhas e sim moedas, selos, vinhos, perfumes... Um menino que deseja levar para casa uma lembrança dos Jogos Olímpicos de 2012.

Ao sentar-se no banco detrás (pois estava pegando aquele ônibus também, mas meu destino era um curso do trabalho) me dei conta que mais que uma roleta nos separava espacialmente, mas não o gosto por sabores da vida: as coleções. Adoro também! Queria ter todo tempo do mundo, naquela tarde para escolher moedas com meu pai no Banco Central. O trinômio trabalho/obrigações/rendimento, tem me roubado um tempo precioso de aproveitar estes doces da vida.

E o que é o passatempo de um idoso, " uma pessoa na melhor idade", como bem disse ele ao sentar-se ao lado de alguns "velhos" ilustres conhecidos ou desconhecidos? É desfrutar destes prazeres momentâneos, já que cada fase da vida só se vive uma vez. Seus pais não sabiam, e ficaram senis tão cedo. Você é um homem de sorte papai, por saber curtir estes prazeres... Meus avós não tiveram a mesma oportunidade, no entanto você o pode fazer e tem esse direito de se reinventar todos os dias. 

Como fantástica é a vida!

(continua) 

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