sábado, 14 de agosto de 2010

Memórias da chuva: Gracias a la vida...


Agradecer a vida... Um ato simples como um dia de chuva tão esperado. Gosto de pensar na chegada da chuva aqui no Planalto Central, que seus pingos carregam os roteiros dos desertos já atravessados, já vencidos e força para os que ainda estão sendo percorridos. Eles também trazem consigo o desejo de ver tudo que amamos acordado! Na letra de Violeta Parra eternizada por Mercedes Sosa velha conhecida, mas esquecida nestes dias secos do cerrado. Esta canção me traz memórias da chuva... A mesma que me fez querer um dia escrever e ter você neste momento lendo estas palavras... Gracias!!!


Graças À Vida
Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distinguo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Graças à vida, graças à vida

Um comentário:

Anônimo disse...

Vi num site do Jornal Nacional que você comentou sobre as enchentes em Alagoas e pediu notícias sobre a moça que foi socorrida na hora do parto numa cadeira porque a ponte havia caído. Era seu primeiro filho. Ela sobreviveu. A criança, não.