Uma dança e dois corpos soltos bailando continuamente. Se se conhecem há milênios, eternizados pelos passos de uma dança? Só eles sabem. Os conheci há bastante tempo e não esqueci mais o enlace mágico daqueles dois corpos no silêncio. Quando eu caminhava pelas ruas todas as manhãs, sempre os via dançando, percorrendo sozinhos os corpos um do outro, num pulsar tão acelerado e infantil, que até pareciam duas crianças intertidas com seus próprios brinquedos. Imaginava um diálogo perfeito ou uma briga qualquer que os afastasse. Imaginava que descobriram-se amigos depois de muito tempo e isso machucara um deles profundamente, como dentro da música The closer I get you. Sei, no entanto, que o que quer que imaginasse não seria suficiente para quebrar a harmonia de serem completos dentro dos seus passos, com ou sem sapatilhas. Mas também poderiam ser dois perfeitos desconhecidos, que moravam em cidades diferentes talvez? Dividiam alguns passos por horas sobre um palco qualquer para ...